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  • Detetive Robson Jorge.

A CARIDADE E O ABUSO DA BONDADE

Tenho por mim que um ser humano deve ter na caridade a forma de auxiliar outros seres humanos, sem buscar para si reconhecimento, glória ou privilégios. Mas pelo simples prazer de ser útil e de fazer o bem, sensação indescritível para quem pratica com benemerência e desprendimento. Fazer caridade, ajudar os outros e fazer o bem para as pessoas gera uma recompensa espiritual que nos faz sentir felizes, por termos sido abençoados com a capacidade de dar ou de se doar, de ser útil.


A caridade deve começar em casa, no auxílio aos mais próximos, parentes e amigos e após certificarmos que estes estão bem é que devemos partir para o auxílio dos demais.


Às vezes fico a pensar se ganha mais quem recebe ou quem doa.


Muitas pessoas são caridosos ou bons para serem assim reconhecidos publicamente e, embora aos outros olhos assim pareçam, sabem no íntimo que não o são, e assim embora façam o bem, não conseguem dele gratificar-se, sendo esta uma bondade inútil como experiência de vida a quem pratica desta forma.


O verdadeiro problema que envolve a caridade não é conceitual, mas prático.

Sabemos que a caridade, a ajuda que ofertamos, nunca dever cobrada. Assim, sem esperar retorno, evitamos que a caridade se torne moeda de troca e também evitamos o dissabor de reconhecer que existem pessoas mal agradecidas.


O mal agradecido está sempre presente entre as pessoas que ajudamos. É aquela que depois de todo o bem recebido, não o enxerga, e volta-se contra você quando a situação se inverte e você é o necessitado. Não que se busque reconhecimento em fazer o bem, como já disse, mas não há melhor gratificação para o homem de bom coração do que quando ele recebe o bem (descompromissado) de quem um dia ajudou. Porém, não existe maior desilusão ao homem bom do que aquela que sofre ao estar necessitado, precisando de uma ajuda qualquer e ver-se abandonado por quem ajudou ou por quem o poderia ajudar.

Todos os seres humanos ora estão de um lado da caridade ora de outro, como necessitados, porque é a lei da vida. Uns precisam dos outros, alternadamente, conforme se passam os dias na vida terrena e conforme surgem os problemas de nossa existência.


Tantos são os desapontamentos do homem bom ao defrontar-se com pessoas de espirito invejoso, oportunistas, que se furtam a ajudar, de pessoas que de várias formas só se preocupam com sí, que este de bom coração, acaba por embrutecer-se e as vezes por abandonar a bondade e a caridade, tão somente por desacreditar no espirito humano.


O mundo está ai, o tempo todo a embrutecer-nos. É os políticos corruptos a roubar o povo, são os criminosos a solta a nos ameaçar e causar medo onde quer que vamos, é o guardador de carros que veladamente é um perigo, é o conhecido ou sócio que te rouba, o cônjuge que te trai, o amigo que te abandona, o oportunista que te processa.


Mas como disse, o problema da bondade não está no conceito, mas na pratica.


É na pratica do bem que surge o oportunista. Este é aquela pessoa que descobrindo um homem bom, dele se acerca para obter o máximo de sua bondade e da ingenuidade que o bom coração possui.

Nós encontramos estas pessoas no mendigo, no parente, no amigo, que por ter sido uma ou mais vezes ajudado passa a crer que é dever do homem bom ajuda-lo sempre.

Vemos ainda o oportunista naquele que vendo sua melhor condição, se aproxima do homem bom para, conquistando-lhe a amizade, possa obter a partir dali favores diversos, inclusive financeiros.

Notamos o oportunista, naquele que vem e te faz um favor, sem que você peça, para amanhã poder ele te exigir algo em troca. E na mulher que envolve, para, com a concepção de um filho obter para si várias benesses legais.

Estamos pois, ao sermos bons e humanos, sujeitos aos males do oportunista.


Não há, portanto, maior dor ao homem bom, do que não mais podendo ajudar, ser criticado por sua, digamos assim, “falta de bondade”. E não há maior crime contra a bondade e a caridade, do que a presença do oportunista. E não existe maior decepção ao homem bom do que aquela que este sofre ao perceber estas coisas.


Devemos pois, estar atentos ao praticarmos o bem. E ao nos tornarmos conscientes da maldade humana, devemos praticar o bem, preferencialmente de forma velada ou indireta, para que assim possamos continuar com a caridade sem sermos por ela penalizados. Também é melhor a caridade velada ou indireta pelo fato de que estamos fazendo o bem sem olhar a quem, e jamais nos sentiremos tentados a cobrar esta ajuda ou dela esperar solidariedade.


Com tudo isso e muito mais, com tanta maldade, com tanta falsidade, com tantos interesses escusos permeando nossas vidas e maltratando a benemerência, a grande pergunta que surge é:


Porque ser bom?


Devemos ser bons, meus irmãos, porque, no meio dos maus a alguém igualmente bom, que ali está, imperceptível, precisando de ajuda para que não desacredite na humanidade.


Por Raul Valério Subtil (Ábacus)

Em 02/10/2013

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